Mensagens tratam de doações legais, diz executivo da OAS

08 jan 2016

Do Estadão Conteúdo:

Um dos ex-executivos da OAS que ingressaram para o governo da Bahia sob comando do hoje ministro da Casa Civil, Jaques Wagner (PT), disse que as mensagens apreendidas por investigadores da Lava Jato tratam de doações legais de campanha.

Executivos da empreiteira que aparecem nas trocas de mensagens envolvendo Jaques Wagner – em conteúdo avaliado como suspeito pelos investigadores da Operação Lava Jato – foram nomeados secretários de Estado no governo da Bahia. Um dos dois executivos mencionados chegou trabalhar na Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) durante a gestão de Wagner.

Manuel Ribeiro Filho, ex-diretor da OAS na Bahia, assumiu a Sedur em janeiro de 2014 e se manteve na chefia da pasta até o fim daquele ano. Bruno Dauster, ex-diretor de desenvolvimento da OAS, foi empossado na Casa Civil em janeiro de 2015, quando o sucessor de Wagner, Rui Costa (PT), assumiu o governo da Bahia, e se mantém até hoje na chefia da pasta.

Na gestão Wagner, antes de assumir a função de secretário, Dauster foi chefe de gabinete da Casa Civil no Estado. A assessoria de imprensa do governo da Bahia ressaltou que Dauster não era mais executivo da OAS quando assumiu o cargo.

As mensagens de texto dos aparelhos apreendidos envolvem Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS condenado a 16 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema na Petrobrás.

Metrô

Em troca de mensagens entre números não identificados até o momento, obtidas por meio da interceptação de diálogos do celular de Léo Pinheiro, há texto em que Dauster é citado como alguém que “sabia tudo de metrô”, em possível referência às obras no metrô de Salvador. “Para sua informação tanto JW quanto Rui Costa dizem que Bruno Dauster sabia de tudo do metrô e como é gente sua…Abc MK”, diz a mensagem.

Ribeiro Filho é um dos executivos que aparecem em troca de mensagens com Pinheiro sobre o apoio à candidatura do petista Nelson Pellegrino à prefeitura de Salvador, em 2012. No final daquele ano, antes do segundo turno das eleições, Ribeiro se afastou da construtora, onde trabalhava como diretor operacional. O afastamento, segundo ele, ocorreu por motivo de saúde. “Passei por uma quarentena antes de ir para o governo”, disse.

Durante sua gestão na secretaria, Manuel Ribeiro foi um dos principais defensores da construção de uma ponte entre Salvador e a ilha de Itaparica, obra de interesse da OAS, uma das construtoras que desenvolveram o projeto. Ele é irmão do escritor João Ubaldo Ribeiro, morto em 2014, que era morador da ilha. Os dois se desentenderam por causa do projeto, orçado inicialmente em R$ 5,7 bilhões e cujo custo chegou a R$ 7 bilhões. Prometida para 2013, a ponte não saiu do papel.

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Anna Ruth
Anna Ruth

Anna Ruth Dantas é jornalista, apresentadora do programa RN Acontece, da Band Natal; produz e apresenta o programa Jornal da Cidade, da Rádio Cidade (94 FM - Natal), e apresenta o programa Panorama do RN (em rede com 16 emissoras de rádio do Rio Grande do Norte). Jornalista de grande credibilidade, atua também como consultora e ministra cursos de midia trainning na Trilhar Educação Corporativa.

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